Sou descendente de pomeranos, moradora de Santa Maria de Jetibá, conhecida como a cidade mais pomerana do Brasil. A maioria desse povo sobrevive da agricultura, principalmente do cultivo de chuchu e café.
Toda sexta-feira é a mesma coisa no Sítio Gums, localizado em Santa Luzia. Acordo cedo, troco de roupa, tomo café com minha querida família e vou junto no chuchuzal pegar no batente.
A vista é bela cheia de morros e vales repletas de plantação. O chuchuzal carregado de frutos é lindo de se ver. No entanto, o trabalho é árduo e cauteloso. Acha leitor, que é fácil madrugar e entrar nesta rotina?
Pense você, num dia de sol escaldante, parreira baixa de chuchu, chão liso, cheio de esterco bem fedido. Pensou? Pois bem, era essa a situação no dia em que algo inesperado me aconteceu.
Estava eu no chuchuzal olhando para cima, catando chuchu e colocando na caixa. De repente ao dar um passo para frente, escorreguei e levei um tombo. Só via “ouro verde” rolando morro abaixo junto comigo. Digo “ouro verde” devido o preço estar em alta, geralmente no verão e inverno.
Como se não bastasse, além dos pés, sujei meu corpo todo. De vergonha, não sabia se ria ou chorava, além disso, tive que catar o chuchu, selecioná-lo para embalar em outra caixa e aguentar aquele cheiro horrível que não parava.
Para completar “a festa”, meu pai gritou:
__ Cuidado com o Gasparzinho, Elaine! Ele anda solto por aí...
Sei que ele falou daquele jeito, mas no fundo ele estava com pena de mim e se roendo por dentro, porque a metade da caixa foi descartada devido os arranhões nos chuchus. E dias antes quando espalhara o esterco, ele já havia reclamado dos abutres que aproveitavam para se alimentar do estrume e ainda estragavam as ramas novas da parreira.
Naquele dia eu não via a hora de voltar para casa, tomar banho, almoçar e ir à escola. Por trás disso, havia outra preocupação: o fedor do estrume. Este iria provocar gozações na sala de aula e já sabe no que dá, não é? Por coincidência era dia de interclasse na escola, por sorte escapei da zoeira.
Pois é, leitor, a vida na roça não é fácil. O lavrador só sobrevive e sustenta sua família com base numa labuta diária de muito esforço físico e força de vontade.faça chuva ou sol, preço bom ou ruim, é preciso vencer os obstáculos e encarar a realidade de frente.
Elaine Gums – 8ª A
Professoras: Brenda Maria Soares e Monica Kuster Gums
Parabéns Eliane!!! Pelo texto vencedor!!!
ResponderExcluirContinue sempre assim, essa menina estudiosa e esforçada que vc vai longe!!!
Parabéns :)
ResponderExcluirParabéns Eliane, pelo excelente texto,que mostrou grande conhecimento, tanto na lingua portuguesa como também de vivencia no campo. Reconhecimento merecido aos alunos e professores dessa escola modelo, a Comunidade de Recreio sente orgulho pelos trabalhos desenvolvidos e pelo sucesso dos alunos, Parabéns a todos.
ResponderExcluirMônica Lima Scalzer